Saturday, December 15, 2007

"A novela das 8:00 em Brasília"

Com extinção da CPMF em Brasília chegamos ao fim de mais um drama da mesma forma que anualmente as podres novelas da Rede Globo terminam. Traçando um paralelo com as historinhas escritas por Manoel Carlos e sua trupe e o roteiro seguido por nossos representantes na capital do Brasil conseguimos infelizmente constatar inúmeros pontos em comum.
A semelhança é inegavel quando verificamos os ridiculos papéis interpretados por seus protagonistas, a falta de instrução e ignorância da grande parte dos “telespectadores” bem como a felicidade de uns no final da trama e por outro lado a infelicidade de outros que sempre restam como fracassados.
Até ai, conseguimos nos entreter com tal semelhança, todavia o ponto nodal da questão é que na trama financiada pela família Marinho, independente do fim, eles, os financiadores sempre irão lucar com a desgraça fictícia, já o roteiro que se passa em Brasília, é financiado por nós, uma vez que o final desta brincandeira não é ficçao e o resultado deste gran finale recai exclusivamente sobre a nossa sociedade nos influenciando diretamente.
Como contribuinte e financiador deste thriller, consigo perceber que o nossos representantes estão atrás de seus próprios interesses, deixando de lado a coletividade e os princípios que deviam nortear as ações destes agentes políticos.
É triste constatar que, mesmo com a prorrogação desta contribuição que de fato resultaria em R$ 40.000.000,00 a mais no caixa da União, nós ainda não teríamos um sistema de saúde de qualidade, um ensino nas escolas de excêlencia, um futuro descente para o jovens entre outras garantias constituicionais que o Estado não nos garante.
Cotidianamente assistimos essa novela inúmeras vezes, lembrando que os protagonistas estão atuando as nossas custas, tratando de nossos interesses primordiais sem nenhum afinco, e estes limitam-se a vistir o seus custumes italianos e sua gravatas francesas tão somente para que estejam impecáveis para o dia-dia em seu difícil labor, atividade esta, que se confunde entre a representação do povo e nossos interesses em face do Estado com a atuação em um teatro de segunda, aonde sempre sobra tempo para brincadeirias, conversas informais entre outros comportamentos que nos envergonham com cidadãos brasileiros.
Enquanto esperamos a estréia da próxima “novela” em Brasilia, iremos nos deliciar com um final de ano ótimo, com resultados positivos em todos os sentidos praticamente iguais a da nossa grande concorrente no quisito telenovela, a Rede Globo.

4 comments:

Leonardo said...

Realmente; tanta gente que reclama das novelas da Globo com veemência e parece não perceber, ou não ligar pro fato de que novela mais tosca ainda, porque real e patética, tá sendo financiada pelo seu próprio bolso!

Arcenicproductions said...
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Arcenicproductions said...

Tocou num ponto fundamental, o choque entre a teoria e a prática, em um estado que aspira a democracia representativa. Consiste no prevalescimento do interesse privado dos parlamentares sobre o público, e é fruto da cultura política brasileira. Com isso, nós "telespectadores" ficamos assistindo a um jogo de interesses e vinganças particulares, exatamente como nas novelas, dentro do núcleo de comando do país.

Felipe said...

Sempre crítico e batendo no ponto certo. Segue assim Leonardo, sem baixar a cabeça para as convenções e acreditando fundamentalmente nas tuas verdades. Grande abraço,
Felipe.