Monday, July 07, 2008

"Amanhã"

O dicionário Houaiss define a palavra supramencionada como “no dia seguinte ao presente”, ou melhor, “a época vindoura, futura”.
Tenho convicção que esta é a palavra preferida do povo brasileiro, e consequentemente a mais usada.
Sempre temos um “amanhã” na ponta da língua, seja para nos desculparmos de algo não feito, ou até mesmo justificar algo que de fato foi feito, porém, de forma desastrosa.
Domingo, após de a polícia fluminense metralhar uma família dentro do seu próprio carro em uma rua de grande circulação do Rio de Janeiro, – um dos membros desta família era João Roberto Amaral, de três anos de idade, que faleceu no hospital por conta do ferimento à bala na cabeça – o Secretário de Segurança Pública do Estado declarou que amanhã (segunda-feira) será instituída a Universidade da Polícia, estabelecimento de ensino criado para formar policiais profícuos.
O Rio e o próprio Brasil são lugares de “amanhã”. É claro que nos conforta, como um abraço, a idéia que a cidade maravilhosa possuirá uma polícia bem formada para zelar pela segurança dos cidadãos, todavia resta evidente que isto é pura farsa (E os policiais já formados terão que passar por reciclagem? E o consumo de drogas? E a corrupção dentro do alto escalão da Polícia? E os salários dos policiais que atualmente são facilmente corrompidos?).
Até onde eu sei, o ciclo vicioso que encontra-se a nossa sociedade não pode ser extirpado por uma simples “Universidade da Polícia” mais sim por onda de educação em todos os níveis da população, até porque do que adianta instruir a polícia com um ensino de excelência, enquanto a própria população não tem condições de estudo.
Partindo da premissa que nosso país é em grande parte habitado por policiais, políticos, empresários, funcionários públicos corruptos e mau preparados, observa-se que nesta tragédia ocorrida no Rio não houve causalidade alguma.
Neste contexto, é possível verificar que, uma vez voltados para o “amanhã” perdemos completamente a noção do presente, trocando em miúdos, esta família não deveria se apavorar ou até mesmo se revoltar por ter o filho baleado pelos próprios policiais em uma perseguição aos assaltantes, ou eles não tinham conhecimento que vivem no Estado que possui a segunda polícia mais violenta do mundo. Até penso que se o pai viesse publicamente e declarasse que não está chocado e já esperava por tudo isso, tal reação seria mais revoltante para todos.
Assim, nós mesmos brasileiros, não podemos ficar surpresos com a “Lei Seca” instituída a pouco pelo Congresso, ao passo que nossos legisladores em regra são ignorantes, senão corruptos, onde legislam de acordo com seus próprios interesses e de suas bancadas (assunto este que será abordado em uma próxima oportunidade).
Desta forma, constata-se, mais uma vez, que temos em nossas mãos o poder de mudança, sendo que este poderá ser aplicado hoje ou amanhã.
Dentre estas alternativas, quedo-me com a primeira, porque caso ocorra o erro hoje, poderei corrigir a eventual falha amanhã...

3 comments:

Anonymous said...

Vergonha nacional, uma barbaridade o que foi feito no Rio. Muito bem redigido.
Jonas

Dante said...

Caro Amigo Leonardo.
Excelente artigo. E um resumo fabuloso naquela frase: "...por onda de educação em todos os níveis da população," É sem dúvida disso que nosso país precisa urgente. Mas... a quem interessa uma população com cultura???
Grande abraço.
Dante.

(PrecarioCN) said...

Estás escrevendo bem !

um abraço 2 pac

Gustavo