Thursday, July 01, 2010

"A veracidade e o fim de uma história"

Muitos não gostam de falar sobre esse assunto, mas de quando em vez é necessário, levando em consideração o fato que todas as histórias onde temos 2 pessoas como protagonistas sempre possuem um fim. Algumas destas são verdadeiras, outras ficciosas, detêm finais felizes, outras nem tanto, contudo devemos contextualizar o enredo, para daí sim, avaliarmos a sua veracidade, e, por corolário, dar um parecer sobre o seu momento final.
Em regra, estas histórias começam com uma certa emoção, aquela explosão de sentimentos, onde tudo é novo, havendo descobertas por ambas as partes, considerando que neste momento os sentimentos afloram da pele de uma maneira sem igual, sendo inexplicáveis inúmeras sensações advindas destes encontros primitivos.
Passados os primeiros meses, não há mais aquela sensação de novidade, porém, uma vez sucumbida aquela paixão inicial, surge a sinergia entre o casal, onde, diante do tempo já vivido junto, passa-se a fazer juras de amor, a compartilhar segredos, ambições, sonhos, dentre outras coisas que necessitam de uma afinidade cristalina para serem concretizadas.
Após estes dois passos, passamos para a parte mais complexa do enredo, onde a história pode seguir em frente e através de muita vontade, anseios em comum, bem como identificação de valores, os protagonistas quedam-se juntos por grande parte de suas vidas ou, por outro lado, esta pode encerrar-se abruptamente, sem sentido algum.
É imperioso ressaltar que neste momento, onde o casal possui a faculdade de escolher sobre a continuidade ou não da sua história, ambos devem ter convicção sobre esta decisão e não só isso, os dois necessitam saber o real objetivo de estarem juntos, considerando uma gama extensa de nuances.
Sabemos que nesta altura a escolha é ardua, até porque uma decisão tomada sumariamente, ou, de repente, com intervenção terceiros, pode resultar num final não muito agradável para quem dará o derradeiro verdicto. E mais, se a escolha tomada for respaldada em retóricas vazias, onde esta não fará sentido algum se formos analisar o enredo como um todo, tal fim não obterá efeitos práticos, servindo assim, tão somente, de desculpa para encerrar uma história que, de fato, não era tão verdadeira, ou talvez, nem devesse existir.
O ponto nuclear desta questão é que para podermos dar continuidade ou um fim a uma história, após esta ter deixado para trás os dois primeiros passos citados acima, necessitamos de elementos suficientes para convalidar a nossa decisão, quer seja encere-lá ou continua-lá, trocando em miúdos, a escolha obrigatoriamente precisa ter consonância com todos os acontecimentos elencados no enredo, sob pena deste possuir nenhum nexo.
Assim, ao decidir protagonizar uma história com alguém, desde o princípio, deve-se sempre ser sincero consigo mesmo, agindo de acordo com a suas convicções, nunca deixando-se levar pela influência de outras pessoas e o mais importante, buscar incansavelmente representar o que fora pregado por você desde o início, desde os valores mais comezinhos até as atitudes mais esdrúxulas.
Caso isso não ocorra, e a história, que até então era verídica, acabe, sendo este término fundamentado numa deliberação que não se encaixe, de maneira alguma, no enredo, esse conto, nada mais é do que um livro de ficção, no qual compramos, começamos a ler e depois de folhearmos as páginas sem muito afinco, chegamos a um confuso fim, jogando este exemplar no lixo, por admitir que não havia eloquência alguma entre os capítulos, principalmente em seu final, e, por ser tão ruim, não deveria, sequer, ocupar espaço na prateleira.

24 comments:

Paula said...

Grande colega adv. Leonardo:

Muito interessante esse seu texto, que nos faz refletir e muito sobre nossos romances.
Confesso que fiquei emocionada ao ler, e estabeleci ligação com muitas das histórias de amor que já vivi.
Realmente, amigo, algumas irão "para o lixo" pois o "enredo" não fez sentido ao final das contas.
Outras, porém, ficarão guardadas na nossa prateleira de "clássicos", ao lado da obra de Drummond de Andrade e Eric Arthur Blair (Gorge Orwell, você deve conhecer).
Sempre leio o blog, e sugiro que escrevas mais sobre amor e relações, pois para advogados como nós, é bom pensar em outras coisas fora do "jurídico" do dia-a-dia.
Use mais esse seu talento, enfim, de encantar através das palavras e ideias.
E use e abuse desse talento linguístico também na advocacia, pois o que é feito com o coração sempre rende bons frutos.

Beijo!

Anonymous said...

O texto é muito bem escrito mas eu não concordo com ele.
Na minha opinião, é impossível apagar da vida uma história com uma pessoa, independentemente se acabou de motivo tolo ou justo.
Até porque se conseguiríamos esquecer nós gostaríamos até, mas sem conseguir esquecer acabamos lembrando e é quando mais dói ao invés de conseguir superar numa boa.
Mas isso é só minha opinião, respeito a sua!

Mário Júlio Francisco said...

Negão o texto é bom.
Mas, como sempre, desde a época que eu era da tua sala na cesusc, ainda tens mania de botar palavras pra fazer charme - "corolário" e trocar a ordem do "quando em vez".
Fica legal, mas em todo post acaba demonstrando imaturidade literária.
Mesmo assim o texto é ótimo, e dá pra notar uma clara evolução na tua escrita. Realmente estás ficando amadurecido como pessoa e como poeta.

H. Romeu Pinto said...
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Felipe said...

Show Léo. Bloq é isso. É democrático e cada um se manifesta sobre o que entende que merece manifestação.
O texto tá muito legal e o estilo é teu.
Penso que há histórias que merecem o lixo, mesmo. O difícil é termos a coragem de colocá-las no lixo, pois dependemos do passado.
Geralmente, as lembranças do passado são doces: das comidas do tempo de infância, dos relacionamentos do passado, dos "Bons tempos", das Copas anteriores... o passado é sempre melhor do que o presente, pois não pode ser sentido.
Costumamos esquecer do que foi ruim no passado. É uma forma inconsciente de nos preservarmos, pois dependemos de uma história para que possamos dar sentido à nossa existência.
Keep writing!!

Thiago Franzoi said...

Irmão e assim que prefiro te chamar, não vou escrever muito pois não e esse o meu forte. Texto bem ou mal escrito quem sou e para julgar, mas a história sim muito bem explicada em algumas palavras. Sinto por toda a história, mas depois de um livro sempre vem o outro, ou talvez até uma continuação ou ate uma edição sem cortes.
Sobre imaturidade literaria... kkk fala serio!

Anonymous said...

Muito bom o artigo. Acredito que se o livro é ruim não devemos guarda-lo, até porque se fossemos guardar todos o livros que tenham algumas partes boas a nossa casa teria que ser uma biblioteca gigante. Só devemos guardar sim os ótimos, os bons, e, talvez, os medianos... o resto... joga no lixo!!!

Pedro said...

grande negao,
irado o texto, bem desenvolvido e um assunto que poucos entendem.
é isso ai brow, mete bronca

Fabricio said...

O artigo serve também como um conselho para quem lê, já que, se conselho fosse bom não se dava se vendia... Sempre polêmico, é isso ai.

Abraço

Dante said...

Caro Amigo Leonardo. Sei bem o que retrata o texto e é muito peculiar, pois isso tudo acontece com todos. Eu entendi como colocar no "lixo", deixar no passado o que pertence ao passado, seguir em frente, plantando nesse presente, o futuro que, certamente virá. Gostei. Muito bom. Interessante ler e refletir, pois, querendo ou não, retrata o cotidiano.
Abração.

Elba Ramalho said...
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Leonardo said...

Esse texto ficou irado!
E o final é forte hein, fechou com chave de ouro! Ótima criatividade...
É isso aí, continua assim, expondo tuas ideias com personalidade - atributo que falta a muitos.

Abraço

Juliana Carioni said...

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente. Martha Medeiros

Leonardo, Sempre é bom saber como vocês (seres masculinos) pensam a respeito deste assunto tão peculiar. No texto mostras que tens bastante sensibilidade e hoje em dia é tão raro...
Não acho que a melhor saída seja "jogar no lixo", afinal o relacionamento acaba não pq não deu certo, pelo contrário, deu certo até o dia que acabou! E o que ficam são as boas lembranças.
Quando postares mais, avisa novamente!!! Gosto de passar por aqui. beijos.

Arnie said...

Rico vocabulário e boa articulação. Certa forma criativo nas comparações porém melancólico demais.
Parabéns pela iniciativa, a evolução a cada post é evidente. Abraço

Anonymous said...
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Anonymous said...

Leo, entendo o que queres dizer com o post e, neste sentido, o texto está coerente, seguindo uma linha lógica de raciocínio. Ou seja, qualquer um que o lê, entende do que se trata e consegue se relacionar com ele, concordando, discordando ou até mesmo sendo indiferente. Mas acho que carregas demais no juridiquês, tentando usar palavras difíceis para dar um tom rebuscado ao texto. Só que o efeito que consegues é justamente o contrário do que procuras: tornas o texto pesado, de leitura desprazerosa. Um assunto muito interessante, mas de uma escrita fraca tecnicamente.

Bruno said...

E aí dr! Esses dias ouvi na rádio Atlântida um programa em que falavam sobre o Fiuk (filho do Fábio Jr.). Uma das coisas que disseram é que enquanto não houver críticas você não estará fazendo sucesso, e vice-versa. Seja ou não teu objetivo fazer sucesso, falo isso no sentido de encarares as críticas de forma positiva. Também não sou nenhum crítico literário para avaliar o que escreves, mas acho que às vezes usas umas expressões em um contexto inadequado, ou por repetidas vezes, a exemplo da palavra "naipe" - embora não tenha mais visto utilizares esta. No entanto, com certeza a prática fará com que aprimores cada dia mais essa habilidade. No mais, só tenho a te parabenizar pela iniciativa! Abraço!

Anonymous said...

Acho que tá muito bom o seu modo de escrever, e as pessoas que estão reclamando devem ser, pra dizer o mínimo, invejosas. Simples assim.

João Marcos said...

Grande Leonardo, está ótimo o texto! Parabéns! Continue escrevendo, se possível, com mais frequência!

Betinho Costa said...

Como diz meu Pai: "Filho, se você me convidar para um casamento seu antes dos seus 35 anos, vai perder seu tempo, pois eu não vou... Você tá no auge da sua vida, aproveite"!!!!!!! É isso negão você é sortudo e nem sabe....Enjoy the way!!!!!!!!!!!!!!!!

Anonymous said...
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